O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado, anunciou sua desfiliação do Partido Liberal (PL) em Pernambuco. A decisão foi tomada após o dirigente local perder o apoio da direção estadual da legenda, marcando mais uma mudança no cenário político pernambucano antes das eleições.
Machado, que também é conhecido por sua proximidade com o ex-presidente, confirmou que, apesar de deixar a sigla, manterá sua intenção de concorrer ao cargo de senador nas próximas eleições. Ele foi uma figura de destaque na administração de Bolsonaro e recentemente esteve no centro das atenções por seu envolvimento em uma tentativa de obter um passaporte diplomático europeu para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, conforme investigações recentes.
Afastamento do núcleo estadual do PL
A perda do suporte da cúpula estadual do PL em Pernambuco foi o estopim para a saída de Gilson Machado do partido. Fontes internas indicam que houve um desgaste progressivo nas relações entre Machado e a liderança local da agremiação. Machado, que já ocupou o Ministério do Turismo entre 2020 e 2022, tentava consolidar sua base para a disputa eleitoral no estado, mas o cenário interno se mostrou desfavorável.
Em declarações recentes, o político afirmou que sua trajetória política seguirá firme, focada na campanha para o Senado, independentemente da legenda a que pertencia. Ele expressou sua gratidão pelos anos no PL, mas reforçou que a ambição eleitoral é prioritária. A saída de uma figura com o histórico de Machado pode gerar rearticulações significativas entre os grupos que apoiam o ex-presidente no Nordeste brasileiro.
O caso Mauro Cid e o contexto político
O nome de Gilson Machado ganhou notoriedade fora da esfera estritamente partidária após seu nome ser citado em investigações relacionadas ao ex-ajudante de ordens, Mauro Cid. Machado teria tentado auxiliar Cid na obtenção de um passaporte português, um movimento que levantou questionamentos sobre o uso de influências políticas. Embora o foco imediato de sua saída do PL pareça ser o atrito interno partidário em Pernambuco, o episódio do passaporte adiciona uma camada de complexidade ao seu perfil político.
O PL, liderado nacionalmente por Valdemar Costa Neto, tem investido na padronização das candidaturas estaduais, o que frequentemente gera atritos com lideranças locais com projetos muito definidos, como parece ser o caso de Machado. A legislação eleitoral impõe prazos rigorosos para a troca de legendas, e a movimentação de Machado agora se concentra em encontrar um novo lar político que ofereça a estrutura necessária para sua campanha majoritária ao Senado, prometendo seguir na oposição ao governo atual.