Em um evento promovido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) em Santa Catarina, o pré-candidato a deputado federal, Felipe Barcellos, utilizou seu espaço de fala para fazer duras críticas ao avanço do crime organizado no estado. A manifestação ocorreu em um momento de grande mobilização política local, reunindo ativistas e lideranças de centro-direita.
Barcellos não só condenou a expansão da influência criminosa, mas também propôs soluções estruturais. Juntamente com o vereador Mateus Batista, filiado ao União Brasil (UB), ele defendeu a necessidade urgente de uma política de "desfavelização" do estado. O termo, segundo os políticos, refere-se à necessidade de intervenção estatal e social vigorosa em áreas dominadas pela ilegalidade, visando restaurar a autoridade pública e a segurança.
A proposta de reforma federativa
A pauta de segurança pública foi complementada por uma defesa enfática de mudanças no pacto federativo brasileiro. Segundo Felipe Barcellos, a atual distribuição de competências e recursos entre União, estados e municípios é ineficiente para combater problemas localizados, como a proliferação de facções criminosas. Ele argumenta que uma revisão da estrutura federal daria mais autonomia e capacidade de resposta aos governos estaduais.
"Não podemos continuar com um sistema que engessa a ação dos estados diante de ameaças tão sérias. O crime organizado não respeita as fronteiras municipais e exige uma resposta coordenada e, sobretudo, mais ágil vinda de Brasília", afirmou Barcellos durante seu discurso na ocasião. O evento do MBL, conhecido por promover debates sobre liberalismo e conservadorismo, serviu como palco ideal para as propostas mais duras da dupla.
Apoio do Legislativo local
O vereador Mateus Batista ressaltou a importância de alinhamento entre as propostas legislativas e a realidade das ruas. Batista complementou a fala de Barcellos, mencionando casos recentes de impacto da criminalidade na vida dos cidadãos catarinenses. Ele frisou que a "desfavelização" não se trata apenas de repressão policial, mas também de levar infraestrutura e oportunidades sociais a áreas vulneráveis, tornando o Estado presente onde hoje impera a ausência ou a cooptação.
Os dois pré-candidatos buscaram capitalizar o sentimento de insatisfação com a segurança pública, um tema que frequentemente mobiliza o eleitorado em Santa Catarina. A menção ao avanço do crime organizado ecoa preocupações levantadas por especialistas em segurança, que apontam a expansão de redes logísticas e de atuação de grandes facções para novas regiões do Sul do país, conforme noticiado em diversos relatórios de inteligência sobre segurança pública no Brasil.
A mobilização é vista como um movimento inicial da campanha eleitoral, demarcando o território ideológico do grupo político em relação aos desafios centrais do estado para o próximo pleito.