Política

Filipe barros encerra mandato na credn com duras críticas à política externa de lula

O deputado Filipe Barros encerrou seu mandato na Credn criticando a ausência brasileira em negociações cruciais, citando o caso da Venezuela.

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Nos momentos finais de seu mandato na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn), o deputado Filipe Barros (PL) fez declarações contundentes ao avaliar a condução da política externa brasileira sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As críticas se intensificaram ao abordar a recente atuação dos Estados Unidos na América do Sul, especialmente no que tange às ações relativas à crise na Venezuela.

Barros expressou forte descontentamento com o que classificou como um distanciamento estratégico do Brasil. Segundo o parlamentar, mesmo com sua reconhecida tradição diplomática, o País não foi sequer consultado sobre definições cruciais que ocorreram nos últimos meses de 2025, período em que as manobras diplomáticas americanas em relação à nação vizinha se intensificaram. A falta de consulta, destacou ele, sinaliza um enfraquecimento da voz brasileira no cenário regional.

A Questão da Soberania e Influência Regional

O deputado argumentou que a passividade do governo atual resultou na perda de protagonismo que historicamente o Brasil manteve em questões sul-americanas. Ele ressaltou que a política externa parece estar priorizando alinhamentos ideológicos em detrimento da defesa pragmática dos interesses nacionais e da estabilidade fronteiriça. A posição de não intervenção ou de consulta tardia em eventos como os que envolveram a nação caribenha demonstra uma falha na arquitetura diplomática.

Filipe Barros, que sempre defendeu uma política externa mais alinhada com os parceiros comerciais históricos e com a preservação da soberania dos países vizinhos, utilizou o encerramento de suas atividades na comissão para deixar um registro formal de sua oposição à condução atual. Ele enfatizou que grandes nações, como o Brasil, não podem se dar ao luxo de serem meros espectadoras de decisões que afetam diretamente seu entorno geopolítico.

A tradição diplomática brasileira, forjada ao longo de décadas por figuras como o Barão do Rio Branco, pressupõe uma participação ativa na mediação de conflitos e na construção de consensos regionais. Barros sugere que essa postura foi abandonada, levando a momentos de invisibilidade internacional em janelas de oportunidade para a influência brasileira. O relatório final da legislatura, que será divulgado em breve, deve detalhar ainda mais essas observações sobre a atuação do Poder Executivo na política externa.

Em suas considerações finais, o político reiterou a necessidade de uma reavaliação urgente das prioridades do Ministério das Relações Exteriores, visando restaurar o prestígio e a capacidade de negociação do país em fóruns bilaterais e multilaterais, especialmente na América do Sul.