A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição de ensino superior pela qual o autor da coluna, Giuseppe Riesgo, expressa respeito e onde se formou, recentemente tomou uma decisão que reacendeu o debate sobre o papel da academia frente a questões políticas e sociais. Por meio de uma moção, a universidade manifestou repúdio a uma operação policial ocorrida no estado do Rio de Janeiro.
A iniciativa institucional, oriunda do ambiente universitário, sugere uma postura clara da universidade em relação a eventos de grande repercussão nacional, colocando-a diretamente no centro de discussões sobre o equilíbrio entre a produção de conhecimento técnico e o engajamento em pautas ideológicas. O texto de opinião sugere que a instituição estaria priorizando a militância em detrimento da abordagem de questões percebidas como sendo a realidade prática e factual.
O peso de uma moção institucional
Moções de repúdio emitidas por universidades federais, como a UFSM, carregam um peso simbólico significativo, representando a voz oficial de um corpo docente, estudantil e técnico. A decisão de focar a manifestação em uma operação policial específica, frequentemente vista como tema de grande polarização política, é o ponto central da crítica levantada.
Para Riesgo, esta postura levanta questões sobre a missão primordial da universidade pública. Segundo a sua ótica, o tempo e a energia empregados na elaboração e votação de documentos com forte teor político poderiam ser melhor direcionados para a pesquisa básica, a extensão focada em problemas concretos da comunidade ou a defesa intransigente da autonomia universitária frente a cortes orçamentários, por exemplo. A crítica implícita é que a pauta escolhida reflete mais um alinhamento ideológico do que uma preocupação acadêmica neutra.
A distinção entre engajamento e foco acadêmico
O engajamento cívico é inegável e historicamente presente nas instituições de ensino superior brasileiras. No entanto, o autor questiona onde deve ser traçado o limite. A universidade, enquanto espaço de pluralidade de ideias, deve ser o palco do debate, contudo, quando a gestão institucional endossa uma única via, corre-se o risco de alienar parte da comunidade acadêmica e da sociedade que a financia.
A defesa de uma operação policial, ou o repúdio a ela, muitas vezes se apoia em interpretações de fatos que estão em constante disputa no campo jurídico e midiático. A dificuldade de se posicionar de forma incontestável sobre temas fluidos, diferentemente do rigor exigido por um artigo científico ou um projeto de extensão comprovadamente eficaz, é a essência da controvérsia levantada pela moção da UFSM. A discussão permanece aberta sobre se essa manifestação fortaleceu ou enfraqueceu o prestígio da instituição no cenário nacional.